quarta-feira, 10 de março de 2010

DISPO-ME DE MIM

_________________________________________03 Fevereiro 201

N

Acariciado pelo sol

Deixo a pele no estendal do vento

Para que as mãos aragem

A bafejem de sentimento…

Solto o coração às vagas

Deixo-o ser canoa de vela içada

Para que os lábios sódio

O insuflem de esperança…

Esparjo a carne no alecrim

Deixo-a marinar de odores

Para que a língua arbusto

A sacuda de amores…

Trago nas mãos a praia deserta

Onde me dispo de mim

Lanço-me na espuma que mareia

Junto à pueril areia

Do meu mar sem fim!

No cimo de um grão de argila

Iço o estandarte

De um beijo molhado

De espuma cálida.

Que poeta seria

Se despisse a fantasia

Como dispo o corpo

Desprovido de alma…!

António Casado

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