_______________________________________________________________________________6 Abril 2009
Sei que já te disse adeus tantas vezes e outras tantas me despedi ao ver-te partir como os que partem e deixam uma pétala da rosa da roseira das saudades espalhada sobre a colcha da fria cama. Sei que tantas vezes suspirei que não viesses apelando a uma clemência inexistente no livro das crenças apenas para não sentir a dor de te ver partir e ficar a sós comigo sobre o lençol molhado do suor de nós.
Sempre que o telefone tocava e a tua voz me surpreendia tão meiga e quente como o verão mais ardente do vulcão do nosso querer o meu coração saltava de contente e eu que tanto desejara a tua partida ansiava agora como um louco a tua chegada. A janela já não tinha postigos para abrir de tanta ansiedade nem a porta ombreira onde bater. Escancarava a casa como quem rompe o biombo das nuvens com as mãos e deixa uma nesga de sol invadir a sensualidade de uma mistura de tudo o que se desenvolve em nós e faz almejar por algo surpreendente que nos faria perder no cubículo florido da paixão.
Breves minutos – porque a nossa história é feita de fugazes minutos – como as páginas brancas de um meticuloso jasmim ainda não inventado narram a aventura daquele apólogo que ainda não foi escrito e acredito tenha fim. O princípio é sempre o retorno do filho pródigo como ave de arribação às labaredas incandescentes dos meus braços ao braseiro incendiado dos meus beijos à fogueira em combustão da minha carne à lareira do nosso leito. Breves momentos antes da partida sentava-me sobre os ponteiros do relógio a contar os séculos – aqueles que passarão sem que te veja – tentava num fôlego atrasá-lo ficando com a estranha noção de que apenas adiava a tua permanência e o tempo que sobrava era a solidão.
Digo adeus e prometo amar-te desprendido e solto como um animal feroz que caminha pela selva numa atitude pretensiosa de querer ter a manha do leopardo a agilidade da gazela a beleza da zebra e a pujança do leão apenas para que em mim sintas a tua casa e o sol bafeje de astros o olhar. Digo adeus porque não aprendi a dizer mais nada enquanto espero no anfiteatro do sono pela vontade de querer que fiques e que nunca mais partas. Digo adeus para que possa manifestar a enorme alegria do regresso.
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